Comentário semanal de Carlos Zorrinho na Rádio Campanário – 4 julho 2023
Na Revista de Imprensa desta terça-feira, dia 4 de julho, recebemos em antena o Eurodeputado socialista Carlos Zorrinho.
Os temas abordados no dia de hoje foram: O suplemento de 20% para os médicos que aderirem ao regime da dedicação plena; e até quando o Governo vai conseguir acompanhar o apoio à família com subidas e descidas da Euribor.
Quanto ao primeiro tema, o Eurodeputado referiu que “não sei se estas medidas são suficientes, mas são claramente num bom sentido. É muito importante que as profissões estruturantes do serviço público tenham capacidade de atrair os melhores, falamos da educação, saúde, segurança, proteção social, justiça, nós pagamos bastantes impostos, um bom serviço do Estado ajuda a desenvolver o país, a torná-lo mais competitivo, mas nada se faz sem as pessoas, e as pessoas têm que ser capazes de atrair, como sabemos na saúde há muita procura por parte da saúde privada, que paga mais e melhor, e é preciso fixar médicos, enfermeiros e técnicos especializados. Foi dado um passo no caminho certo e agora têm que se criar condições para que tenhamos instalações de saúde, e sobretudo pessoas para prestar os cuidados de saúde”.
“Houve de facto algumas experiências nas parcerias publico-privadas, mas essas parcerias, por natureza, não são boas nem más, são boas, se conseguirem com menos dinheiro prestar melhores serviços às pessoas, são más se acabarem por dar mais dinheiro para prestar esses serviços às pessoas. Deve ser público aquilo que só o estado pode fazer e deve ser privado ou publico-privado, aquilo que o estado, com os privados, puder fazer melhor. Vejo um trabalho muito intenso por parte do Ministério e do atual Ministro, penso que é alguém que está com uma enorme vontade de encontrar soluções, as soluções não se encontram de um dia para o outro, mas aqui foi encontrada uma medida num bom sentido”, acrescentou.
Quanto às soluções apresentadas pela oposição para o SNS, Carlos Zorrinho diz ser “muito importante que isso aconteça. Há mais de um ano que o PSD e outras forças políticas criticam, mas sem apresentarem soluções alternativas, que não sejam soluções pontuais. O que interessa é a resposta global, a resposta que funciona, e é muito importante sabermos o que pensa o PSD enquanto resposta sistémica, o que é que quer fazer, como se inicia aquilo que quer fazer e, para financiar mais o que quer fazer, o que é que deixa de financiar, e isto é muito importante”.
Quanto ao segundo tema, o Eurodeputado referiu que “os sinais dados pelo Banco de Portugal, os sinais dados pela evolução dos números e dados internacionais, não vai ser já mas, pouco a pouco, no próximo ano penso que haverá uma redução da inflação e uma descida sustentada das taxas de juro. A regulação financeira é feita por reguladores independentes, portanto, não depende dos governos dizer ao BCE se deve, ou não deve, reduzir as taxas de juro, aliás, António Costa foi muito claro ao dizer que não devia, o que também acho que não devia. Todas as medidas, são medidas do BCE e, na verdade, a minha expectativa, é que cada vez mais, não se justifique fazer isso, nem mesmo do ponto de vista técnico, como o BCE o tem feito e que, vamos ter um momento difícil e o Governo terá que apoiar”