Artigos de Opinião

Neste espaço poderá encontrar os artigos que ao longo dos últimos anos foram sendo escritos por Carlos Zorrinho e publicados em diversos meios de comunicação social.

A saúde da democracia

Com as eleições europeias agendadas para 9 de junho em Portugal e num tempo em que a celebração de abril nos transporta para as memórias do muito que a liberdade nos tem legado, refletir sobre a dinâmica da evolução da nossa democracia torna-se fundamental.

Um estudo realizado por uma equipa do Instituto Superior de Ciências Políticas e Sociais (ISCPS) e divulgado pelo Jornal Publico concluiu que, entre muitos outros dados de grande atualidade e relevância, 87% dos portugueses continua a defender a democracia como uma forma governativa “preferível a qualquer outra”, mas também que as tentações para escolhas autocráticas subiram em flecha, levando 47% dos inquiridos a dizer que apoiariam um líder forte designado sem eleições. Outros estudos divulgados recentemente indiciam tendências similares.

Estes e outros números caracterizadores da saúde da nossa democracia são, na minha perspetiva, fruto do aumento da desconfiança entre os representantes e os representados, em larga medida agravada pela aceleração mediática e pela virtualização cada vez maior da intermediação política.

Há alguns anos, no decorrer de uma ação de contactos de proximidade no âmbito de uma campanha, uma senhora abordou-me e tendo começado por me dizer que simpatizava e tinha admiração por mim, informou-me depois que, não obstante essa simpatia, eu não teria o seu voto.

Fiquei curioso e perguntei-lhe porquê, ao que ela retorquiu que sabia quem eu era e o que fazia pelo que via na televisão, e gostava, mas não me conhecia e não votava em desconhecidos. Tentei em 15 minutos de conversa que me conhecesse melhor. O voto, esse é secreto.

Voltando ao quadro eleitoral democrático, se pensarmos no que eram as campanhas há uns anos, feitas de contactos porta a porta, sessões de esclarecimento disseminadas pelo território e cartazes colados em cada esquina e o que são hoje, baseadas em debates entre os lideres, megacomícios para as televisões, redes sociais e outdoors, não podemos deixar de pensar que uma das razões da maior desafeição dos eleitores em relação aos eleitos pode estar exatamente no facto de saberem quem são, com a imagem que lhe transmitem através dos múltiplos canais, mas não os conhecerem.

Como pode a democracia reconquistar a empatia da proximidade, combinando as metodologias tradicionais e a nova realidade incontornável da mediatização e das redes sociais. Debater de forma profunda e alargada este tema e tentar desenhar a aplicar novas soluções é uma prioridade para defendermos a saúde da democracia.

Últimos Artigos

Solistas e “Concerto das Nações”

Diário do Sul

Recentemente fui convidado para abrir um debate sobre Portugal, a Europa e a Agenda Internacional do Desenvolvimento, no quadro mais vasto de uma sessão do Conselho Estratégico do Partido Socialista…

Ler o artigo completo

Banalização ( A Intoxicação da Democracia)

Frontline

A democracia está em crise. Um pouco por todo o mundo, do seu regaço nascem regimes autoritários, filhos da informação e da desinformação cada vez mais tecnologicamente aceleradas e usadas…

Ler o artigo completo

Mortos Vivos

Diário do Sul

De repente gerou-se o pânico com a possibilidade enunciada por um dos mais conhecidos “gurus” do desenvolvimento da Inteligência Artificial Generativa (IA), Jacob Coxon, (ex- OpenAI e Anthropic) de que…

Ler o artigo completo