Artigos de Opinião

Neste espaço poderá encontrar os artigos que ao longo dos últimos anos foram sendo escritos por Carlos Zorrinho e publicados em diversos meios de comunicação social.

Ambição Transformadora

A vaga tecnológica e científica emergente é tão forte que o mundo vai mudando à nossa volta e nós quase não o sentimos. Vamos adotando com leveza pequenas mudanças quotidianas, no uso que fazemos dos telemóveis e das aplicações, da forma como transportamos neles tantas chaves da nossa vida, na maneira como compramos e vendemos os produtos e os serviços que nos são essenciais, no processo de interação com noticias, mensagens e dados que nos levam a tomar decisões e a fazer pequenas e grandes escolhas. Estes pequenos passos fazem parte de uma onda maior.

Por todo o lado se debatendo a forma como a automação dos processos e até da inteligência, vão mudar a forma como trabalhamos e como vivemos. Não me parece que faça sentido tentar travar a enxurrada com castelos de areia. O que precisamos é de não perder o controlo e ter uma ambição transformadora informada pelo sentido ético e pelos valores de sempre.

A aceleração tecnológica e científica não é socialmente neutra. São preocupantes os sinais que vamos recebendo e que correlacionam maior penetração tecnológica com um agravamento dos indicadores de desigualdade em praticamente todo o mundo. Estes sinais são um alerta para quem anuncia de novo o fim da história, a supletividade dos valores ou o triunfo do mediatismo efémero.

Na Europa e no mundo o ano de 2024 é um ano de muitas eleições, algumas delas ocorrendo em países cruciais para determinar as regras e os modelos de sociedade que nos esperam. Com a volatilidade dos dias há quem tudo pretenda reduzir a duas ou três escolhas fraturantes sobre os direitos individuais ou sobre a aceitação do outro e da diversidade de gentes e de culturas.

Na minha perspetiva a ambição transformadora não pode ser ideologicamente neutra, porque isso tem implícita uma “ideologia” de poder que favorece a fragmentação das sociedades entre vencedores e vencidos da mudança.

À esquerda, ao centro, à direita, nos diversos matizes ideológicos, é preciso reformatar os programas e adequá-los aos novos desafios sem profanar os valores que estão implícitos a cada visão ética e política da sociedade.

O anuncio recente pelo Secretario Geral do PS da realização de uns Estados Gerais para construir uma alternativa progressista e moderna ao Governo em funções, está em linha com o que proponho nesta crónica. Precisamos também em Portugal de mais ambição transformadora com propósito, pela liberdade, pela solidariedade e pela justiça social.

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