Artigos de Opinião

Neste espaço poderá encontrar os artigos que ao longo dos últimos anos foram sendo escritos por Carlos Zorrinho e publicados em diversos meios de comunicação social.

Boa Política

Na sociedade portuguesa, tal como na generalidade das sociedades dos países da União Europeia, os temas europeus são debatidos menos do que deveriam ser, relegados para as horas mortas das televisões e para seções de nicho nos outros media, sem refletir devidamente o impacto que as decisões tomadas em soberania partilhada têm no quotidiano dessas sociedades.

Fora do quadro mediático, ou só ligeiramente confluente com ele, fervilha, no entanto, uma intensa vontade de debater e de reforçar o sentido de pertença ao projeto europeu com partilha de informação e análise crítica do que que se vai passando.

Nos nove anos que levo como Eurodeputado, todas as semanas recebo múltiplos convites para participar em debates e encontros com a sociedade civil, sejam universidades e escolas, associações, instituições, centros culturais ou espaços políticos ou cívicos de outras índoles.

Infelizmente, mesmo com o recurso ao online, que de forma nenhuma substitui a força a e a empatia gerada pelas interações presenciais, apenas consigo aceitar uma pequena percentagem desses convites, mas fico com uma perceção clara da forte dinâmica que eles sinalizam.

Nas escolas em particular, com a liderança de professores profundamente empenhados e comprometidos com a preparação dos seus alunos para um mundo cada vez aberto, multicultural e sem fronteiras, e também com o apoio dos programas europeus e das representações das instituições europeias em Portugal que os dinamizam, são cada vez mais as escolas embaixadoras, os clubes europeus e os projetos interescolares no plano nacional e internacional.

Ao desenvolverem estas atividades os jovens e os seus mentores estão a praticar a arte de interpretar e gerir a polis com toda a sua nobreza e a desconstruir os preconceitos que colam à política o pior das práticas que em seu nome são realizadas.

Numa das ações publicas em que participei recentemente com jovens estudantes, um autarca referia que em áreas como o ambiente, a cidadania e a juventude “não fazia política”. Não pude deixar de contrapor que se há áreas em que um eleito tem obrigação de fazer politica e boa politica é naquelas que o dito autarca enumerou (e em todas as outras da sua competência evidentemente).

A gestão da Polis pode ser feita com elevação, transparência e compromisso, ou pelo contrário, com abuso de poder, manipulação e prevalência de interesses difusos. As duas formas são política. Conquistar os cidadãos, em particular os jovens, para a boa política local, nacional ou europeia e denunciar a má política, é fundamental para alicerçarmos um futuro melhor para todos.

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