Glucksman – O “Seguro” Francês?
Raphael Glucksman, filho do reputado filósofo francês André Glucksman, é deputado no Parlamento Europeu desde 2019, integrando o grupo dos Socialistas e Democratas, grupo que eu também integrei entre 2014 e 2024. Com 47 anos, a sua biografia política foi contruída com base numa participação cívica forte como jornalista, consultor e defensor da democracia, do reforço da integração europeia e do combate ao autoritarismo. Em 2018 fundou o movimento “praça pública” de orientação progressista, europeísta e ecologista.
Tendo trabalhado em dossiers similares fomos contruindo uma relação de alguma cumplicidade e diálogo. Ambos coincidíamos na ideia de que Portugal precisava de um Presidente Europeísta e moderado para suceder a Marcelo Rebelo de Sousa e de que nem Marine Le Pen, nem Jean-Luc Melenchon, eram soluções credíveis e agregadoras para suceder a Emmanuele Macron em França.
Naquele tempo, eu esforçava-me para ser mais um a convencer António José Seguro a assumir a mais elevada representação do Portugal livre e democrático e pouco a pouco fui percebendo que Raphael tinha características semelhantes e lhe estava reservado um desafio determinante para a Europa e para o mundo.
Sabemos que António José Seguro, acabou não apenas por ser candidato, mas também por ser eleito com a maior maioria de sempre em eleições presidenciais democráticas em Portugal e assumir com legitimidade reforçada, o papel de Presidente de todos os portugueses.
Acompanhando com empenho e discrição a caminhada de António José Seguro, foi com reforçado entusiasmo que fui acompanhando também a decisão de Raphael de se submeter a primárias para ser candidato presidencial da esquerda social democrata e ter vencido com dois terços dos votos expressos.
Num momento de enorme sensibilidade para a República Francesa, quer pela sua frágil situação económica quer pela onda de protestos diversos que invadem as suas ruas e praças, ter um candidato que se concentra na social democracia, no projeto europeu e na política internacional contemporânea, culto, preparado e moderado, é uma fonte de esperança.
Todos sabemos como em política a França tem sido percursora das grandes revoluções e das grandes mudanças. Nem Marine Le Pen nem Jean -Luc Melenchon querem unir a França e dar um novo impulso à parceria europeia. São rostos do radicalismo e da fratura. “Candidatos” dos que fora da União Europeia anseiam pela sua implosão. Espero e desejo que Glucksman seja o “Seguro” Francês.