Questionário Pós-Proustiano
Tem Facebook, Twitter, Instagram, Tik-Tok? Já desistiu de alguma rede social? Qual é a que usa mais?
Tenho Facebook e Twitter. O Facebook uso mais para interagir com os amigos e o Twitter para interagir com o mundo. Dedico mais tempo ao Twitter e dentro dele mais tempo a sentir a “rede” do que a interagir nela. Em complemento, o WhatsApp é uma ferramenta que utilizo muito na gestão do meu dia-a-dia pessoal e profissional.
Tem noção de quantas horas por dia está agarrado ao telemóvel?
O meu telemóvel tem essa “noção” por mim e informa-me de que estou ligado uma a duas horas por dia entre telefonemas, troca de mensagens, publicações e consultas em motores de busca e em aplicações de informação generalista e especializada.
Em que circunstância desliga ou põe o telemóvel em modo voo?
Basicamente quando voo! Ou quando tenho de fazer uma gravação ou participo num programa em que isso é recomendado.
Já se arrependeu de alguma coisa que escreveu numa rede social? O quê?
As publicações emocionais como adepto do Sporting já me causaram alguns amargos de boca, mas não consigo nem desejo deixar de ser adepto também nas redes. Quando era líder parlamentar do PS na AR, publiquei uma explicação racional em 140 caracteres sobre uma renovação de viaturas de serviço que “pegou fogo” porque há razões que não sobrevivem ao imediatismo emocional das redes. Arrependi-me e aprendi uma lição.
Onde conheceu o amor da sua vida? Foi à primeira vista? Ou na primeira conversa de chat?
Perguntei-lhe se era Leão. Falhei no signo, mas acertei no amor. Estava escrito nos astros.
Tem noção de quantos ex-amigos tem? Cinco? Dez? Ou nunca se zangou com um amigo?
Amigos, amigos… já me zanguei, mas nunca perdi nenhum. As amizades que vão desbotando são de outro teor.
Já se sentiu co-responsável por uma atitude racista ou foi vítima de racismo? Em que circunstâncias?
Respeito as diferenças, mas trato todos por igual. Nunca tive consciência de estar a ser vítima ou promotor de atitudes racistas.
Qual é o elogio que menos gosta que lhe façam?
Que sou consensual. Sou radicalmente moderado. Procuro soluções viáveis e fazer acontecer. O elogio não é descabido, mas pode dar a ideia de que procuro o consenso por facilidade, quando o procuro por convicção e ímpeto transformador.
Apaga as fotografias em que não ficou bem?
Só as que faço com a intenção de ficar bem e falham o objectivo. As espontâneas normalmente não as sujeito a censura.
Alguma vez fez alguma figura triste depois de ter bebido demais?
Só me recordo de figuras alegres.
Qual é a sua bebida preferida?
Vinho tinto.
E personagem de romance?
Robert Langdon, o professor de Simbologia e Iconologia de Harvard (e de Dan Brown). Adoro explorar o lado simbólico e metafísico das coisas.
Fora de Portugal, qual é o lugar onde se sente em casa? E porquê?
Em África. Vivi em Moçambique e em Angola quando era criança e jovem adolescente. Sinto que volto a uma casa a que também pertenço, sempre que viajo para África, e ultimamente, com as minhas funções no Parlamento Europeu (PE) de co-presidente da Assembleia Parlamentar Paritária/UE e de relator permanente do PE para a ajuda humanitária, tenho viajado muito.
Qual o melhor conselho que lhe deram na vida?
Para não escolher entre a academia e a política, porque me estão ambas no sangue. Tenho feito caminho nas duas e sinto-me bem assim. Foi um grande conselho.
Em que situações se considera um “chato”?
Quando abuso do meu estilo de contador de histórias ou quando me corto cedo de festas nocturnas porque a noite nunca foi o meu elemento.
E corrupção? Já foi abordado ou já abordou alguém para uma cunha? E conheceu directamente casos de suborno com dinheiro?
Não conheci directamente histórias de subornos com dinheiro. Quanto às “cunhas”, depende da definição e da forma. Recomendar uma pessoa ou uma solução, só por si, não é corromper.
Diga o nome de três portugueses vivos que admira (não vale a sua mãe nem o seu pai).
António Guterres, um português global. Lídia Jorge, a “cronista” do Portugal de hoje. Vítor Martelo, um alentejano, autarca modelo, amigo, referência política e pessoal.
E entre os que já morreram?
D. Dinis, meu mestre histórico. Henrique Marcelino, meu mestre académico. Mário Soares, meu mestre político.
Já teve algum ataque de ansiedade? Em que circunstâncias?
Não me recordo de ter tido um ataque de ansiedade ou de pânico. Fico ansioso com pequenas coisas e sou frio nos momentos de elevada tensão.
E já se sentiu profundamente exausto? Foi burnout?
Algumas vezes sim. Viagens mal planeadas. Muitas noites mal dormidas. Mas burnout nunca me foi diagnosticado.
O seu ideal de vida é levantar-se às seis da manhã ou prefere deitar-se por essa hora?
Mais do que um ideal é uma característica. Sou matinal. Nasci às seis da manhã. Acho que renasço todos os dias por essa hora. Ganho embalagem de manhã e depois faço gestão.
Se lhe pedissem conselhos para uma relação amorosa feliz, o que é que dizia?
Não dava. Os melhores caminhos encontram-se sem mapa.
Costuma usar a expressão “todes” em vez de “todos”? Acha que o acordo ortográfico devia ser mudado para tornar a linguagem mais inclusiva?
Não. Por vezes uso “tod@s” para arrepiar caminho. Não é a linguagem que muda o mundo. Se o mundo mudar, a linguagem reflectirá isso.
É vegetariano, vegan, faz alguma dieta especial? Porquê?
Não. Como de tudo, mas como pouco, o que para quem vive no Alentejo é um verdadeiro desperdício.
A sua vida tem quantas músicas? Quais são?
As músicas da liberdade como as canções de Abril, a músicas da identidade como os cantares alentejanos, as músicas do encontro com os outros e comigo mesmo, que foram tantas ao longo da vida que opto por eleger a “banda sonora” que há anos acompanha o meu hábito de correr uns quilómetros por dia sempre que posso: os Shadows.
Qual foi o último filme que viu? E qual foi o último de que gostou?
Oppenheimer. Um grande filme que nos transporta em espiral na cápsula dos dilemas humanos sobre a ética, o controlo e a superação.
Tem um último desejo?
Que o medo não triunfe sobre a vida. Esse é o princípio da felicidade.