Artigos de Opinião

Neste espaço poderá encontrar os artigos que ao longo dos últimos anos foram sendo escritos por Carlos Zorrinho e publicados em diversos meios de comunicação social.

Sincronizados Venceremos

Vivemos num mundo cada vez mais em rede. As redes físicas e digitais multiplicam-se de tal forma que os territórios e as comunidades se desenvolvem sobre uma base neuronal de conexões e de nuvens de dados. As implicações deste cenário são múltiplas.

Uma delas, e dessa me ocuparei nesta crónica, é que já não há desculpa, que não a teimosia ou a falta de visão humana, para que os projetos e investimentos não sejam sintonizados de forma a tirar deles o melhor partido, concretizando-os de forma rápida, transparente e flexível.

Numa Região como o Alentejo, extensa e despovoada, mas cheia de potencial, os projetos estruturantes resultam normalmente de uma soma de intervenções que ganham viabilidade se forem combinadas e sincronizadas. Na minha experiência como Presidente do Proalentejo (1997/1999), que à época mobilizou diretamente para a região 480 milhões de contos (aproximadamente 2000 milhões de Euros), o que distinguiu os processos de sucesso, daqueles que borregaram, foi a sincronização na aprovação e concretização dos suas diversos componentes.

Olhemos para um tema atual, em concreto o papel da ferrovia no desenvolvimento da Região. Participei recentemente num interessante evento promovido em Évora pela Associação Guardiões, sobre Mobilidade e Transporte Ferroviário. Entre outras coisas, afirmei que tínhamos que aprender com as autoestradas que rasgaram o interior, mas não se amarraram ao território. E dei 3 exemplos. A ligação Évora – Lisboa, puxada por uma nova visão associada à Capital Europeia da Cultura tem que se tornar metropolitana. A ligação Lisboa – Beja tem que afirmar uma centralidade relevante e estruturante no Baixo Alentejo. A ligação Sines – Elvas têm que povoar o território de estações e plataformas logísticas.

No que diz respeito à plataforma logística do Alandroal, na qual os autarcas e os empresários da região se têm empenhado com grande compromisso e seriedade, as linhas vermelhas traçadas em termos de volume necessário de negócio serão facilmente resolvidas se os vários projetos previstos forem concretizados de forma sincronizada.

No entanto, se cada projeto (valorização e escoamento dos mármores, produção de hidrogénio verde, entreposto agropecuário etc.) avançar desligado e não sincronizado, o risco aumenta exponencialmente e os argumentos para os que querem atravessar o Alentejo sem pagarem a “portagem” do desenvolvimento podem ganhar tração.

Usei exemplos concretos para partilhar uma mensagem geral. Na ferrovia e em todos os outros setores críticos para o futuro, só unidos, comprometidos e sincronizados venceremos.

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