Artigos de Opinião

Neste espaço poderá encontrar os artigos que ao longo dos últimos anos foram sendo escritos por Carlos Zorrinho e publicados em diversos meios de comunicação social.

Sines Não Pode Ser um Eucalipto

Desde há muito tempo que valorizo Sines como um exemplo extraordinário de um território onde confluem as valências estratégicas fundamentais para o desenvolvimento económico sustentável do século XXI. Como grande centro de atratividade para industrias e serviços, atrairá também cada vez mais pessoas e terá que estar à altura de fornecer qualificações e serviços públicos e privados conformes às necessidades.

Já pouca gente duvida do potencial e sobretudo da realidade que Sines já hoje constitui como polo económico e social de nova geração. Muitos receiam, com fundamento, que Sines com toda a sua capacidade polarizadora seque de recursos e oportunidades os territórios envolventes e em particular o Alentejo, região em que se insere para efeitos de planeamento e implementação de políticas públicas. Se isso acontecer, a médio prazo será o próprio polo que se asfixiará sobre si mesmo. A dinâmica do eucalipto não interessa a ninguém. Nem mesmo a Sines.

Em contrapartida, com uma boa articulação em rede, Sines pode e deve gerar sinergias com toda a região, com o seu tecido empresarial, com os seus centros de conhecimento, com as suas rotas patrimoniais e com as ofertas económicas e sociais nos mais diversos sectores. Quanto mais o Alentejo se desenvolver, mais e melhor Sines se poderá afirmar na economia nacional, ibérica, europeia e global.

Um dos exemplos paradigmáticos da interação positiva que Sines pode ter com os territórios que o envolvem é a linha de caminho de ferro de alta velocidade entre Sines e Badajoz cuja construção está a seguir a bom ritmo. Há duas pedras de toque para que essa linha sirva o território e não se imite a atravessá-lo. Uma é a construção de estações e plataformas logísticas durante o seu percurso. A outra é a utilização da linha também para transportes de passageiros.

Com a indefinição ainda latente no lado português, foi recentemente conhecido o interesse da RENFE, congénere espanhola da CP, de explorar a ligação de passageiros Badajoz -Évora com o objetivo demais tarde assegurar todo o troço Madrid- Lisboa. Acredito que um desenvolvimento harmonioso e sustentável de Sines acabará por viabilizar também transportes de passageiros como mais um valor acrescentado para o grande conglomerado portuário, energético, digital, industrial e turístico.

O caso dos comboios que não queremos ficar apenas a ver passar é apenas um entre muitos outros. Temos que levar a todo o território o potencial gerado em Sines. Se não forem as empresas portuguesas a terem a visão estratégica de o fazer que venham outras, mais que não seja, para acordar consciências e despertar a concorrência. Sines não pode ser um eucalipto. Sem Mais.

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