Artigos de Opinião

Neste espaço poderá encontrar os artigos que ao longo dos últimos anos foram sendo escritos por Carlos Zorrinho e publicados em diversos meios de comunicação social.

Francisco – O Papa do Agora

O “Poder do Agora” é um dos livros mais vendidos de sempre. Escrito por EckhartTolle em 1997, continua sob várias versões e formatos nos escaparates de muitas livrarias e sites de venda online. 

A sua mensagem é mais simples de enunciar do que de praticar. O poder do agora é a capacidade de disfrutar de cada momento da vida sem deixar que ele seja ensombrado pelas memórias de um passado que já foi ou pela antecipação de um futuro que ainda haverá de ser.   

O Papa Francisco, pessoa extraordinária, sem deixar de ser tudo o que é, e de representar tudo o que representa, designadamente no plano institucional como líder de uma Igreja em forte ebulição, tem o dom supremo de realçar como ninguém mais o consegue fazer, o sentido do Agora, como plataforma de renovação e recomeço.

O “Poder do Agora” em Francisco não significa esquecimento ou falta de compromisso, e não o impede de pedir sem rodeios perdão pelos erros e abusos cometidos em nome da sua Igreja, nem de indicar caminhos para que ela seja mais próxima de quem precisa e sirva os povos propagando o desprendimento e o amor.

Usando o “Poder do Agora” Francisco faz de cada pessoa, independentemente da sua fé, da sua condição ou da sua posição, o protagonista da celebração suprema e livre da sua vida em particular e da vida em geral, e convoca todos a ocuparem o seu lugar na casa comum que partilhamos.

Num mundo emaranhado na guerra, na destruição ambiental, nas desigualdades, na fome, na violência, no discurso de ódio e de rejeição da diferença, Francisco percebeu com divina lucidez que é preciso que as pessoas e em particular os jovens voltem a sorrir, a celebrar a alegria de ser e a acreditar que a transformação do mundo em que vivemos depende em primeiro lugar da forma como cada um interpreta a sua vida e a coloca ao serviço da humanidade.

Numa Igreja dilacerada entre o conservadorismo tradicionalista e o ímpeto de se abrir ao mundo, Francisco escolheu a juventude e a força da palavra para reconstruir os alicerces de uma casa comum que foi fraturada pelos poderes fátuos que esmagam a humanidade.

Quando em 13 de março de 2013, a meio da tarde, soube que o Cardeal Jorge Bergoglio seria o novo Papa sob o nome de Francisco, não consegui controlar as lágrimas de emoção e esperança que me correram soltas pela cara. 

Uma emoção e uma esperança, que depois de 10 anos de ilusões e desilusões, senti de novo bem presente na jornada por Portugal, palco do mundo, encetada pelo peregrino Francisco.   

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