Artigos de Opinião

Neste espaço poderá encontrar os artigos que ao longo dos últimos anos foram sendo escritos por Carlos Zorrinho e publicados em diversos meios de comunicação social.

Sem Batatas Fritas não há Futuro

Chips é a forma popular como no mundo anglófono e agora também um pouco por todo o mundo se designam as batatas fritas. 

Chips é também a designação que se dá aos semicondutores ou circuitos integrados impressos sobre material condutor (normalmente o silício) que constituem a base do desenvolvimento na capacidade de armazenamento, processamento e transmissão de dados e de funcionamento da gama cada vez mais sofisticada de produtos eletrónicos à disposição da humanidade. Quem diz eletrónica diz toda a base económica, de serviços, industria, comércio e produção agropecuária. Tudo precisa e depende de chips como precisa e depende da energia e de outras matérias-primas e componentes críticos.

O progresso no desenho e fabrico de chips têm seguido a previsão definida em 1965 pelo engenheiro americano Gordon Moore de que a capacidade dos chips dobraria em cada dois anos, pelo mesmo custo. A designada Lei de Moore foi sendo paulatinamente verificada, e serviu também de referência e de desafio para os investigadores de todo o mundo. A “Lei” cumpriu-se e fez-se cumprir e transformou o mundo em que vivemos.

Em consequência do aumento brutal da capacidade e da plasticidade dos chips cada vez mais coisas foram automatizadas e modernizadas. Hoje é o “processador” mestre, ou seja, o cérebro humano que começa a ser diretamente desafiado com os avanços nos domínios da Inteligência Artificial.       

Quando a pandemia primeiro e a invasão da Ucrânia depois provocaram a disrupção das cadeias mundiais de produção, a energia e os chips foram, logo seguidos pelos bens alimentares básicos como os cereais, os grandes fatores de competição e também de manipulação pelas forças interessadas em provocar uma desordem económica internacional e o fim da globalização tal como a conhecemos.

Muitas regiões do globo, e em particular a União Europeia, tomaram consciência da sua dependência crítica de bens e produtos essenciais à sua autonomia estratégica. Expressões como “Guerra dos Chips, Guerra da Energia ou Guerra dos Cereais tornaram-se comuns.

Não defendo o fechamento que a todos prejudica e atiça perigosos nacionalismos, mas a oportunidade de repensar as cadeias globais e assegurar o seu controlo distribuído é essencial. A União Europeia está a concluir uma nova regulamentação para tornar mais atrativa a conceção e produção de Chips no seu território, mobilizando 43 biliões de Euros. Parece muito, mas é muito pouco face às apostas das outras potências globais. Sem batatas fritas não há futuro.  

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