Artigos de Opinião

Neste espaço poderá encontrar os artigos que ao longo dos últimos anos foram sendo escritos por Carlos Zorrinho e publicados em diversos meios de comunicação social.

Moderação Triunfante

Escrevo este texto algumas horas depois da realização da primeira volta das eleições presidenciais em Portugal, na qual a decisão dos eleitores qualificou para a segunda volta os Candidatos André Ventura e António José Seguro. O primeiro obteve no pleito um resultado próximo do que foi sendo projetado desde que apresentou a intenção de se candidatar. Já o segundo fez um percurso em crescendo e terminou com um resultado muito acima do tinha sido vaticinado quando decidiu arrancar.

Estes dois movimentos são um indicador muito marcante sobre o perfil político da sociedade portuguesa e a sua dinâmica potencial e é sobre eles e sobre a marca de água que traduzem que se desenvolve a reflexão que partilho nesta crónica.

A campanha e o resultado de António José Seguro, qualquer que venha a ser o desfecho eleitoral, demonstrou que resiste na sociedade portuguesa um promissor espaço para uma via de moderação, radical na defesa da democracia, da liberdade e de uma perspetiva sustentável de desenvolvimento humanista e progressista.

Mostrou também como o registo moderado pode sobreviver e conquistar a opção de uma maioria de eleitores, mesmo quando é menos atraente para as audiências do que a polarização, o discurso fraturante, o ataque pessoal ou o recurso à desinformação.

Neste registo, a grande notícia da primeira volta das Presidenciais é que a segunda não será disputada entre dois candidatos populistas, extremistas ou subservientes e que o processo democrático abriu espaço político para uma via ética, escorada num passado cívico integro e numa visão política consistente.

De facto, a democracia portuguesa que tem evidenciado sintomas de enfraquecimento e contaminação autocrática, deu sinais de vitalidade e abriu um segmento de oportunidade a quem quiser ter em Belém um guardião da Constituição e dos seus princípios materiais estruturantes.

Para alguém como eu, que depois de uma longa vida política no plano regional, nacional, europeu e global, sou autarca em proximidade e procuro em cada momento criar plataformas alargadas para defender o meu Concelho e a minha região, o facto de se ter aberto uma rota de não polarização no País é um sinal indelével de esperança no futuro, que saúdo com entusiasmo.

Perante o extremismo de direita em disseminação aguda e o extremismo de esquerda em autofagia acelerada, a alternativa já não é o bloco central perdido nas brumas da história, mas o bloco radicalmente moderado, que une as pessoas, que regula os interesses, promove as sinergias e reergue a confiança num futuro melhor.

O bloco das pessoas normais, que pela sua entrega, exemplo e compromisso são capazes de fazer a diferença e serem líderes para o tempo em que vivemos.

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