Artigos de Opinião

Neste espaço poderá encontrar os artigos que ao longo dos últimos anos foram sendo escritos por Carlos Zorrinho e publicados em diversos meios de comunicação social.

Aprendizagem Coletiva

Não há como negar que a infeliz escolha da Ministra da Administração Interna demissionária ao reagir ao brutal impacto da tempestade Kristin em Portugal e em particular na Região Centro, afirmando que ela era uma oportunidade de aprendizagem coletiva, acabou por inspirar o título desta crónica.

Perante um desastre, uma calamidade ou um fenómeno extremo, o que é necessário é ação coletiva eficaz, solidária e liderada com clareza, legitimidade e lucidez.

A aprendizagem coletiva é algo que deve ser feito antes dos problemas e depois deles, para garantir melhor preparação para quando voltarem.

Ficou claro na sucessão de tempestades em que vivemos que os planos e as aprendizagens feitas com catástrofes anteriores não estavam suficientemente assimilados e que os planos de prevenção, contingência e emergência estavam guardados nas gavetas e só delas saíram com dificuldade e quase sempre tarde e a más horas.

Será que é desta que vamos aprender a lição e criar as bases para mitigar ao máximo o impacto social e económico de ocorrências futuras, sejam tufões, terramotos, cheias ou fogos?

Desejo que sim, mas o contexto geral da atitude e da mobilização do País não me permite ser otimista. O nível da reflexão e do debate político em Portugal está pelas ruas da amargura.

Se de repente um estrangeiro me perguntar como vai Portugal, eu conseguirei aglutinar um conjunto de indicadores, uns melhores e outros piores, mas se me perguntar para onde vai, só posso partilhar com ele a minha opinião sobre para onde deveria ir.

Estamos exangues de desígnio coletivo. Só sabemos que somos subservientes às flutuações da administração americana, cada vez menos vocais na definição das políticas europeias e mais fragilizados no ecossistema diplomático global.

Uma das dimensões mais importantes da função Presidencial é a representação externa e a participação na definição da política externa. A expetativa em relação ao magistério presidencial de António José Seguro é muito alargado, mas fazer emergir um novo desígnio nacional é o alicerce necessário para ter mais sucesso em todos os outros.

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