Identidade e Modernidade
Se precisasse de definir Évora em duas palavras escolheria aquelas que titulam esta crónica. Somos ao mesmo tempo um Concelho que sente os impactos da interioridade, mas assume cada vez mais uma enorme centralidade no contexto do País e da Península Ibérica.
O número de eventos que são acolhidos ou se realizam no nosso território todos os dias é impressionante e de uma diversidade que testemunha a riqueza do nosso tecido socio económico e cultural e a atração que a marca Évora exerce em Portugal e muito para além das nossas fronteiras. Como Presidente da Câmara recebo diariamente múltiplas solicitações para participar nesses eventos, muitas das quais tenho que declinar ou ser representado, por incompatibilidade na agenda intensa e plural que é inerente às funções que desempenho.
Como comunidade devemos refletir sobre o que é que torna possível esta dinâmica. Évora receber, por exemplo, no mesmo dia, um conclave dos maiores especialistas nacionais com o mote “reprogramar o futuro”, a abertura de uma exposição sobre os 200 anos do Diário de Pernambuco e as maiores jornadas ibéricas sobre “pastoreio sustentável”. Cito estes 3 eventos, mas no mesmo dia muitos outros ocorreram e animaram o Concelho. E temos cada vez mais dias assim, com esta matriz que enobrece uma terra educadora, cuidadora e hospitaleira ao saber e ao conhecimento.
Este afluxo estimulante, só travado por vezes pela escassez dos espaços disponíveis, é resultado da iniciativa empreendedora de quem os promove, mas é também resultado de um ADN formado no cruzamento de civilizações, no diálogo entre os povos, na diversidade dos ciclos históricos e na multiplicidade das experiências inculcadas nas pedras onde a linha do tempo se foi gravando.
Estamos a viver um ciclo em que Évora como Capital Europeia ao Sul se está a afirmar de forma crescente e o facto de sermos a Capital Europeia da Cultura em 2027 mobiliza ainda mais uma corrente multifacetada que se refugia no vagar para respirar, para a partir dele impulsionar a vaga da transformação.
Uma transformação com raízes sólidas, escoradas numa história que nos conecta no mundo e nos permite ligar territórios e mares nunca dantes navegados como nós os sabemos, podemos e queremos navegar. Temos uma oportunidade enorme de ser um laboratório vivo da combinação da identidade e da modernidade e de transformar isso em melhor habitação, melhor educação, melhor saúde e mais qualidade de vida. Não a vamos perder.