Artigos de Opinião

Neste espaço poderá encontrar os artigos que ao longo dos últimos anos foram sendo escritos por Carlos Zorrinho e publicados em diversos meios de comunicação social.

Democracia do Lugar

Dias 6 e 7 de outubro participei em Galway, República da Irlanda, na reunião da Comissão de Economia do Comité das Regiões de que sou membro enquanto Presidente da Câmara Municipal de Évora, num regresso gratificante, depois de ter integrado a primeira delegação portuguesa no Comité das Regiões, quando ele iniciou os seus trabalhos em 1994.

Na reunião de Galway debateram-se e votaram-se dois relatórios de grande atualidade sobre as políticas europeias para o setor marítimo e para a competição internacional pelos semicondutores (vulgo Chips). Em complemento, ocorreu um debate alargado sobre o papel das políticas regionais e locais no desenvolvimento sustentável, os territórios, o acesso aos dados e a gestão da nuvem (Vulgo Cloud). Neste último debate partilhei uma visão que os meus leitores já conhecem. A vantagem competitiva que resta à União Europeia é conceptual. Somos um reduto de democracia e humanismo e isso compromete-nos a desenvolver e utilizar as novas tecnologias com foco nas pessoas.

Quando começa a ganhar forma, num contexto de grande incerteza política interna e externa, o novo ciclo de fundos europeus, tendencialmente mais verticais e suportados em redes colaborativas para fins comuns de caracter suprarregional e até supranacional, a questão chave é tornar os territórios locais e regionais mais capazes de atrair investimento e criar riqueza. O foco nas pessoas tem que se traduzir em proximidade desenhada com as características adequadas para ser agregada em soluções potentes para a União Europeia e para a sua afirmação à escala global.

O radicalismo extremista que tem vindo a contaminar a democracia europeia tem como melhor antídoto o pragmatismo moderado da democracia do lugar, forjada na sua identidade e na sua comunidade. A percentagem de municípios europeus governados pelos movimentos antieuropeus é radicalmente menor do que as votações que esses partidos atingem em eleições nacionais ou europeias.

Neste contexto, quando afirmo Évora como uma Capital Europeia ao Sul e que enquanto Capital Europeia da Cultura em 2027 se ligará ainda com mais força a todo o território alentejano sob o signo do “Vagar”, procuro contribuir para impulsionar uma base competitiva alicerçada na cultura, na forma de ser e no saber, trilho que juntos temos que navegar nas próximas décadas, para convergirmos com os padrões de qualidade de vida que ambicionamos.

Para sermos arautos firmes da democracia do lugar e do lugar central da democracia, da liberdade e da equidade, numa vida com sentido.

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