Artigos de Opinião

Neste espaço poderá encontrar os artigos que ao longo dos últimos anos foram sendo escritos por Carlos Zorrinho e publicados em diversos meios de comunicação social.

Construção Civil

Muito antes da crise da habitação ter saído à rua e ocupado o centro do debate sobre o presente e o futuro do nosso modelo social e de uma grande percentagem de quem vive nos nossos territórios, fui convidado a participar num debate sobre o tema promovido pela SEDES – Associação para o Desenvolvimento Económico e Social, na Universidade do Algarve.

Ao longo do debate que reunia juristas, arquitetos e promotores públicos e privados ouvi enunciar múltiplos constrangimentos e justificações para a crise eminente e também muitos potenciais contributos para que ela pudesse ser evitada, mas fiquei com a sensação, que hoje continuo a ter, que umas se anulavam às outras, ou seja, que os obstáculos condicionavam as soluções e as soluções não eram suficientemente fortes para os vencer.

São conhecidos os números de casas devolutas em Portugal e também o fracasso das muitas medidas que, entretanto, foram sendo tomadas para as trazer para o mercado da compra e venda ou do arrendamento de imóveis. Por outro lado, a escassez de solos e o enredo legal eleva muito a mortalidade dos projetos de construção de novas casas, sobretudo fora dos segmentos de luxo que tudo podem pagar. O “puzzle” é tão complexo que quando olhamos para cada ideia em particular, por muito promissora que seja, percebemos que acabará diluída no muro das lamentações.

No referido debate afirmei que é preciso fazer uma escolha e depois alinhar tudo em função dessa escolha. Continuo a pensar o mesmo. Privada, pública ou cooperativa, coletiva ou individual, precisamos de mais construção civil. Construção civil de raiz ou de recuperação ou requalificação de imóveis.

Mais construção civil aproxima a oferta da procura, abre espaço para ofertas mais acessíveis ou a custos controlados, torna menos apetecível a especulação com imóveis ou terrenos aparcados nas margens do mercado e força a transição da habitação do terreno da aplicação financeira para o terreno da aplicação social sustentável.

A onda de protestos que foi alastrando a todo o País nasceu em Espanha e França e grassou por alguns outros países europeus. Não podemos excluir que tenham sido ativados pela guerra híbrida dos inimigos da União Europeia, mas o combustível que permite a sua implosão é a justa inquietação das pessoas com as suas condições de vida, de que o acesso a habitação digna é uma das chaves. Em Portugal, como por toda a União a parafernália burocrática em torno do ato de recuperar/construir é enorme. Mais simplificação, mais construção, mais habitação e estaremos mais perto da solução.

Últimos Artigos

Glucksman – O “Seguro” Francês?

Diário do Sul

Raphael Glucksman, filho do reputado filósofo francês André Glucksman, é deputado no Parlamento Europeu desde 2019, integrando o grupo dos Socialistas e Democratas, grupo que eu também integrei entre 2014…

Ler o artigo completo

Democracia do Lugar

Diário do Sul

Dias 6 e 7 de outubro participei em Galway, República da Irlanda, na reunião da Comissão de Economia do Comité das Regiões de que sou membro enquanto Presidente da Câmara…

Ler o artigo completo

Na Própria Baliza

Diário do Sul

Confesso que tentei não desabar na enxurrada provocada pelo anunciado fim da carreira de Cristiano Ronaldo enquanto jogador da seleção portuguesa de Futebol. No meio da borrasca, como adepto da…

Ler o artigo completo