Artigos de Opinião

Neste espaço poderá encontrar os artigos que ao longo dos últimos anos foram sendo escritos por Carlos Zorrinho e publicados em diversos meios de comunicação social.

Portugal e os Portugueses

Ser Deputado ao Parlamento Europeu implica uma mobilidade constante entre o País onde fomos eleitos e onde temos a maioria da nossa família e as raízes pessoais, profissionais e políticas, Bruxelas onde se desenvolvem a maior parte dos trabalhos, Estrasburgo onde se realizam as sessões plenárias e territórios de todos os Continentes com os quais existem interações políticas que justificam a realização de deslocações e de missões no terreno. Esta mobilidade permite também ter uma perceção alargada da visão que existe sobre Portugal, nos diversos ângulos a partir dos quais ela é obtida.

O período de festas permitiu-me aprofundar mais o contacto com a realidade e os sentimentos prevalecentes em Portugal e só se me fizesse de cego ou fossepreconceituoso é que não teria notado, como notei, algum torpor e incerteza em relação ao futuro. As múltiplas polémicas politicas que têm pontuado os últimos tempos, somadas ao agravamento das condições de vida provocado pela inflação induzida pelas dinâmicas Pós-Covid19 e pela resposta à agressão da Federação Russa à Ucrânia, ajudaram a criar um desalento miudinho de que temos que emergir se quisermos fazer de 2023 o grande ano da recuperação da pandemia e da guerra.

Em contraponto, fora do País, em Bruxelas, Estrasburgo e em muitas outras capitais e territórios da União Europeia e do Mundo, não são poucos os que regularmente me felicitam pela perceção positiva que têm do bom desempenho que Portugal está a fazer na diplomacia, na estabilidade democrática e na economia. A revista “Economist” colocou mesmo Portugal como um dos vencedores económicos improváveis de 2022.

Não cometo o erro de Luis Montenegro, atual líder da oposição, que em pleno processo de empobrecimento do País referiu que Portugal estava melhor, os portugueses é que não. Se os portugueses estão mal, Portugal não pode estar bem. O bem-estar, a realização e a perceção da qualidade da governação no contexto em que ela é feita, são os indicadores que contam e nos devem mobilizar a todos.

A dicotomia entre a perceção externa e a perceção interna sobre o momento politico, económico e social em Portugal indica-nos o caminho que temos que percorrer. É preciso tirar partido da reputação externa para melhorar a capacidade de resposta interna. Usar os ângulos de quem nos vê ao longe como uma motivação para fazer convergir os ângulos da ação interna. Acreditar em nós como os outros acreditam. E fazer acontecer.

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