Condomínio
Antes que alguma dúvida subsista, esclareço que a ideia base que vou desenvolver neste texto é de autoria do meu amigo e reconhecido Professor Eborense Carlos Cupeto. O Carlos teve a gentileza de me oferecer um exemplar do seu último livro intitulado “Inteligência do Lugar- do colapso global à vida local”, publicado pelas Edições Sílabo, que li de um fôlego e com grande satisfação e cuja leitura (e aplicação prática) recomendo vivamente.
Na sequência da leitura fui trocando algumas mensagens com o autor sobre a importância de podermos conseguir no nosso território reforçar as redes e o espírito de comunidade, como interface entre a tomada de consciência do indivíduo, a sua inserção no lugar e a sua afirmação a partir dele para uma vida plena. Em última análise e parafraseando o autor “O futuro não está escrito. Está a ser tecido” e não há tecelagem que não implique a junção das fibras para um fim comum.
Évora em particular, tem uma vida associativa de uma diversidade e potencialidade extraordinária, mas ainda estamos longe de termos um tecido social, económico e cultural cerzido para uma alavancagem comum que otimize o desenvolvimento local e que em consequência valorize o lugar e a vida de quem o habita. Que agregue a inteligência coletiva e os processos participativos e colaborativos. Que promova e aproveite a vizinhança de interesses ou de espaços.
Estávamos nós trocando argumentos sobre esta linha de oportunidade quando o Carlos fez uma sugestão muito fecunda e deve ter sido maturada muito tempo no seu pensamento. Porque não “lançar o Condomínio de Évora, uma estratégia de cumplicidade entre as partes públicas e privadas … coletivas e individuais.”
Esta ideia, que segue práticas já testadas com sucesso, sobretudo em países do norte da Europa, foi música para os meus ouvidos. Sendo, como gosto de me definir, um visionário com os pés na terra, tenho absoluta consciência que um movimento como o proposto não se decreta. Tem que se tornar desejado e por isso precisa de vagar para se ir entranhando no quotidiano e surtindo efeito, melhorando a vida em comunidade.
Há muita gente que me tenta desencorajar de “pregar” a colaboração e cocriação como um dos caminhos para transformar e atingir objetivos no Município. Não desistirei facilmente. Na minha vida participei em muitos projetos que pareciam impossíveis até ao dia em a persistência e a necessidade os tornou possíveis. O condomínio de Évora é uma obra coletiva. O empreiteiro mandatado não deixará de fazer a sua parte.