Artigos de Opinião

Neste espaço poderá encontrar os artigos que ao longo dos últimos anos foram sendo escritos por Carlos Zorrinho e publicados em diversos meios de comunicação social.

Imprudência (Não Digital)

O mínimo que se pode dizer é que o processo de avaliação dos exames nacionais não correu bem por imprudência da tutela governamental. Para além das múltiplas dúvidas e contratempos gerados nas vidas dos estudantes, dos docentes e outros profissionais do sistema educativo e das famílias, foi quebrado um elo essencial de confiança no sistema de avaliação, que tem que ser reposto quanto antes.

Pelo seu impacto imediato e potencial, a credibilidade das avaliações no sistema educativo é verdadeiramente uma questão de regime em que, para além dum rigoroso e exigente escrutínio técnico e político do que correu mal e porquê, é também necessária uma abordagem séria de como a garantir a equidade e que uma situação como esta não voltará a acontecer.

Embora se fale muito do falhanço da avaliação digitalizada, importa esclarecer que a digitalização parcial do processo não o tornou um processo digital. Pelo contrário, a base do processo de avaliação continuou a ser analógica e apoiada num modelo de circulação de cópias digitalizadas dos originais em papel, através do uso de uma plataforma que deveria garantir a sua boa circulação entre o armazém físico e os avaliadores.

O que falhou foi um processo de aceleração do modelo analógico de avaliação e não a aplicação de um modelo digital de avaliação. Importa ter em conta este facto para que não se crie um bloqueio na definição dos passos seguintes.

Perante o estrondo do falhanço gerou-se um clamor a favor do regresso aos processos estritamente analógicos e manuais que antes já provaram funcionar. Não descarto que um recuo tenha que ser o primeiro passo para repor a confiança perdida. Mas não podemos ficar atolados no erro e incapazes de reagir.

É preciso iniciar uma caminhada sólida, baseada nas boas práticas de países que já o fazem com resultados comprovados, para a progressiva introdução de um modelo digital, com a realização das provas e da sua avaliação em plataformas integradas, transparentes e absolutamente fidedignas, facilitando o trabalho dos estudantes, dos avaliadores e das famílias.

O caminho para o verdadeiro digital enquanto ferramenta de apoio ao ensino e à aprendizagem exige um investimento forte para garantir equidade transversal e acesso garantido em todo o sistema educativo. A avaliação com base digital pode ser uma forte impulsionadora desse investimento. Um investimento que tem que preceder o desenho e o teste robusto de soluções antes da sua aplicação.

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