Artigos de Opinião

Neste espaço poderá encontrar os artigos que ao longo dos últimos anos foram sendo escritos por Carlos Zorrinho e publicados em diversos meios de comunicação social.

Natal 2023

Natal é natal. Diz-se, numa interpretação larga da celebração da vida, que Natal é quando o homem quiser, mas o Natal enquanto celebração coletiva cristã ocorre a 25 de dezembro de cada ano, segundo o calendário gregoriano criado no século XVI pelo Papa Gregório XIII.

Desde que o Natal é Natal o mundo que o celebra não celebrou dois natais iguais. Como escreveu António Gedeão e canta Manuel Freire, “sempre que o homem sonha, o mundo pula e avança, como bola colorida, nas mãos de uma criança”. E como tem avançado o mundo nos tempos que vamos vivendo. Avançado rumo ao abismo ou rumo à redenção, nos trilhos da extinção ou da superação pós-humana? Cada cabeça sua sentença, sendo que a maioria não tem muitas alternativas do que manter a cabeça levantada para sobreviver às agruras dos dias e usufruir dos momentos de plenitude que vão surgindo.

Não foi por acaso que não titulei este texto apenas como Natal e lhe coloquei o ano. 2023 para quem é curioso pela numerologia é um ano 7, portador de bons augúrios quer no plano espiritual quer no plano das escolhas e das transformações materiais. Visto à luz da parafernália mediática, neste ano 7 nada disto se concretizou. O mundo está mais perigoso, desigual, fraturado, tenso, desumano e insustentável do que estava há um ano. Isso nota-se nos semblantes das pessoas com que nos cruzamos e também nos indicadores estatísticos a que acedemos com cada vez maior profusão.

Dito isto, o que fazer? O mundo em geral só se transforma se cada um de nós, por si mesmo ou nas comunidades em que se insere, também for protagonista da sua mudança. Se formos guardiões da boa informação e não disseminarmos a mentira e os discursos de ódio, se cuidarmos do planeta que nos rodeia e não agravarmos a sua erosão, se reforçarmos laços de confiança nas comunidades em que nos inserimos e não nos isolarmos e enquistarmos em redomas falsamente protetoras.

Diz a lenda que três reis magos, guiados pelas estrelas, visitaram o Jesus recém-nascido na manjedoura feita berço e lhe ofereceram ouro, incenso e mirra. Inspirados nesse momento, pelo Natal, os que se revêm no seu espírito, trocam entre si afetos e lembranças.

Neste Natal de 2023 desejo a todos os que me leem Boas Festas e Bom Ano Novo. Que possam partilhar o melhor da vida com os seus entes queridos e com os seus amigos e que consigam ainda, se a vida o permitir, partilhar com o mundo um pouco de serenidade, bom senso e gratidão, como o “ouro”, o incenso” e a “mirra” de um renascimento feliz.

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