Artigos de Opinião

Neste espaço poderá encontrar os artigos que ao longo dos últimos anos foram sendo escritos por Carlos Zorrinho e publicados em diversos meios de comunicação social.

Que não haja um apagão

Dia 18 realizam-se as eleições para a XVII legislatura da Terceira República. Depois de nas eleições de há um ano se ter registado uma forte recuperação dos níveis de votação e uma taxa de abstenção que recuou a níveis de há 30 anos, os estudos de opinião disponíveis não são animadores. Espero e desejo que a realidade desminta as previsões e que a votação enquanto direito e dever de cidadania volte a ser vigorosa. Ganhe quem ganhar com isso na atribuição final dos mandatos, a democracia ganha sempre.

O advento da sociedade da informação e da comunicação, a aceleração tecnológica e a ubiquidade no acesso aos dados e às notícias, verdadeiras, falsas ou simplesmente distorcidas, não aumentou, ao contrário do que previam estudos e especialistas, o interesse das pessoas pelas causas comuns e pelo exercício do direito de escolha entre opções políticas e representantes ou mandatários dessas opções.

Esta realidade deveria merecer um grande debate nas sociedades democráticas com reflexo nos modelos de educação e formação da literacia política e na análise da quebra de confiança que é a raiz mais funda da anemia participativa. As redes sociais, cada vez mais incontornáveis na formação de opinião atuam a uma velocidade que só é fiável se os cidadãos e as comunidades tiverem graus estruturados de confiança para nelas poderem navegar sem submergir ou derrapar em mundos paralelos.

Deste ponto de vista, e como se verificou por analogia na demonstração de falta de autonomia estratégica subjacente à dimensão do apagão elétrico de 28 de abril, as soluções de proximidade são fundamentais para manter ativas redes de segurança, seja contra a eventos de corte súbito de recursos básicos, seja contra o alagamento do espaço público por mensagens e dinâmicas que conduzem à inércia na vida democrática.

A ideia de que o contacto pessoal pode ser substituído pelas redes sociais e que a imprensa local e regional pode ser descartada e substituída pelos media nacionais e internacionais é perigosa e causadora de danos na mobilização dos cidadãos para a vida cívica, que tem no ato de votar um dos seus pilares.

Não é por acaso que mesmo com as distorções nos cadernos eleitorais e no sistema de votação, que defendo sempre presencial, mas menos rígido em termos processuais, as eleições autárquicas registam taxas de participação significativamente mais elevadas do que as eleições legislativas. Que dia 18 seja um dia luminoso e que não haja um apagão.

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