Artigos de Opinião

Neste espaço poderá encontrar os artigos que ao longo dos últimos anos foram sendo escritos por Carlos Zorrinho e publicados em diversos meios de comunicação social.

Veneno

Que alguns governos, de que o atual tem sido um exemplo, têm tendência para se esquecerem do Alentejo, já não é surpresa para ninguém. Somos poucos, elegemos poucos deputados e numa perspetiva de pequena política e visão de curto prazo, apostar na região não paga os juros almejados na arena dos pequenos poderes.

Nos últimos tempos tem sido raro o dia em que não somos surpreendidos na imprensa nacional ou regional com notícias sobre atrasos, dúvidas, hesitações e recuos, algumas depois desmentidas em comunicados lacónicos, incidindo sobre projetos decisivos para a sustentabilidade da nossa economia, para a melhoria dos serviços de saúde ou para o aproveitamento das acessibilidades, designadamente dos novos eixos ferroviários e rodoviários.

O que estes sinais nos dizem é que as convicções das autoridades governamentais sobre a visão para o futuro do nosso Alentejo, do nosso Distrito e de cada um dos seus Concelhos são frágeis, aparentemente não concertadas internamente e muito dependentes das circunstâncias e do sentido para onde sopra o vento.

Perante esta constatação, quem elegemos para nos representar na Assembleia da República, nos Municípios e nos órgãos intermunicipais tem que estar particularmente atentos e proativo. Verdade seja dita que alguns o têm feito com empenho e ajudado a travar processos e intenções lesivas para a nossa terra, para o bem-estar e a qualidade de vida dos cidadãos e para a sua dinâmica económica, social e cultural.

Remediar é muitas vezes necessário, mas como diz o povo na sua sabedoria imensa, prevenir é o melhor remédio. Com a parceria da corajosa e imprescindível da comunicação social local e regional, que com muitas dificuldades e sacrifícios, continua a ser um esteio da democracia, da pluralidade e da informação, a nossa região tem que ter mais voz e mais vozes a afirmar a sua centralidade e o seu potencial, não apenas para quem nele quer viver e investir, mas para todo o País e para o reforço das ligações políticas e económicas da União Europeia com o Arco Atlântico e com a bacia Mediterrânica.

Se nos querem esquecer temos que ser nós a levantar a voz. O contraditório quotidiano em defesa dos diferentes projetos políticos é saudável e legítimo, mas não deve impedir a convergência numa perspetiva de médio e longo prazo, em que aquilo que enquanto Alentejanos nos une, é suficientemente forte para suplantar aquilo que nos divide.

Defender o Alentejo é um desafio coletivo, em que deixar andar ou optar por registos politiqueiros constitui um veneno silencioso. Um veneno a que não podemos soçobrar.

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