Sinais de Abril
Mais uma volta na roda do tempo e mais um momento para celebrar a liberdade e a democracia que renasceu há 52 anos pela vontade de uma revolução liderada pelas forças armadas, e em particular pelos seus jovens capitães, mas rapidamente apoiada por uma maioria entusiástica do povo português.
Em 52 anos, abril já se comemorou em contextos nacionais e internacionais muito diferentes. Cada ciclo foi um momento de olhar o nosso quotidiano e as suas dinâmicas à luz dos valores supremos da democracia, do desenvolvimento e do direito à autodeterminação dos povos e das pessoas, num quadro de dignidade, diversidade e respeito mútuo.
Este ano, o 25 de Abril de 2026 assinalou-se num tempo de grandes incertezas, de escaramuça global, de uma aceleração tecnológica que resolve problemas importantes para a humanidade, mas também é usada para manipular e capturar vontades e impor a lei dos mais fortes.
Num quadro de globalização, muito do que nos acontece é reflexo de impactos externos, mas Portugal, enquanto nação com fortes raízes e identidade, continua a ser um ator relevante na diplomacia global, não obstante a envergonhada política externa do atual governo, titubeante em afirmar a força da nossa identidade de País rede, que não por acaso tem seus cidadãos a liderar a Organização das Nações Unidas e o Conselho Europeu.
No meio da borrasca e das intermitências de um xadrez global que tenta acertar o passo com atores poderosos e aparentemente desvairados, destaco alguns sinais que adubam a minha esperança em tempos melhores, e que parecem indiciar que a polarização atingiu o seu limiar de topo, e as alternativas de moderação, bom senso e cooperação multilateral podem voltar a ser vencedoras.
Na Hungria, Péter Magyar, europeísta e defensor da democracia liberal, derrotou o pró-russo e iliberal Orban. Em Portugal o europeísta e moderado António José Seguro derrotou o nacionalista e radical André Ventura. Os mais recentes estudos de opinião no nosso País mostram o europeísta e progressista José Luis Carneiro como a escolha preferida dos portugueses para liderar o Governo, se as eleições ocorressem agora.
São sinais. Sinais que podem mudar depressa na ventania, mas que demonstram que há caminhos alternativos e que a coerência, a coragem e o enraizamento em valores humanistas fortes acabam mais cedo ou mais tarde por trazerem à tona o lado melhor das comunidades em que vivemos. Como aconteceu em abril de 1974, que pela 52ª vez celebrámos.