Educação para a Paz
Évora é desde 2007 membro da organização “Mayors for Peace” (Presidentes da Câmara pela Paz), fundada em 1982 pelas cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki com o objetivo de mobilizar os executivos locais para a promoção da paz, a educação para a paz e a erradicação das armas nucleares.
A Organização integra hoje 8566 cidades de 166 Países e regiões. Évora lidera desde 2022 a rede nacional que conta com 60 municípios e faz parte dos órgãos executivos da organização internacional. Nesse âmbito a Cidade recebeu entre 3 e 7 de agosto um encontro internacional de jovens pela paz, organizado em colaboração com a Cidade de Hiroshima e que reuniu participantes de Portugal, Espanha, Polónia, Croácia, Alemanha, Reino Unido, França e Coreia do Sul.
O sucesso no desenvolvimento da rede não teve correspondência nas dinâmicas globais em torno dos seus objetivos. Por todo o mundo a Guerra tem vindo a suplantar a Paz e o risco nuclear tem vindo a crescer. Os acordos de rearmamento têm vindo a substituir os tratados de desarmamento e a economia de guerra tem ganho vantagem sobre os modelos de cooperação e diálogo para o desenvolvimento sustentável. Foi importante escutar os jovens que se juntaram em Évora e os seus testemunhos partilhados. Eram jovens educados para a paz e cientes que têm que lutar por ela para preservar o planeta onde vivem e onde querem concretizar os seus sonhos e planos.
Ao escutá-los, a grande questão que se tem que colocar a cada um de nós e a uma rede com quase 9000 cidades é como podemos educar os nossos jovens para a paz num mundo alienado pelas imagens de destruição, pelos discursos de ódio e pela produção massiva de armas. Qual o segredo para voltar o feitiço contra o feiticeiro e fazer da aposta global nas indústrias de defesa feche a porta ao ataque, ou seja, crie uma plataforma de estabilidade como aquela que permitiu que depois da deflagração das Bombas Nucleares em Hiroshima e Nagasaki tivessem decorrido 81 anos sem que o rebanho cada vez mais tenebroso de ogivas tenha deixado fugir do redil um raio de morte.
Não há uma “bala de prata” nem uma “pomba branca” que se possa soltar para abrir consciências e despertar vontades. Tem que ser mesmo com conversa. Conversa capaz de se sobrepor aos ruídos que fazem que os nossos jovens desliguem do mundo real e migrem para mundos virtuais onde servem a guerra sem dar por isso. Onde são usados e deseducados. Onde hipotecam o sonho de um mundo melhor.