Artigos de Opinião

Neste espaço poderá encontrar os artigos que ao longo dos últimos anos foram sendo escritos por Carlos Zorrinho e publicados em diversos meios de comunicação social.

Está a Europa em Guerra?

O título desta crónica replica o tema do debate promovido dia 8 de maio pela ADRAL (Agência de Desenvolvimento Regional do Alentejo) no Café Arcada em Évora. A iniciativa, cuja gravação será também divulgada em formato de “Podcast”, visou assinalar o Dia da Europa que se celebrou no dia seguinte.

Tendo sido um dos convidados, alinhei um conjunto de argumentos para fundamentar a minha resposta à questão. Sim! A Europa e em particular a União Europeia (UE) está em guerra e não é de agora.

Está em Guerra em primeiro lugar pelo direito dos povos à soberania e à sua partilha voluntária como acontece nalguns domínios do projeto europeu. É essa luta que justificou o forte pronunciamento da “rua” europeia e depois das suas lideranças contra a invasão da Ucrânia pela Rússia, e que continua a justificar o apoio dado ao invadido para conter o agressor.

Está em guerra também por uma visão humanista do mundo, que implica ter as pessoas no centro da conceção das políticas, em particular no que diz respeito aos processos disruptivos em curso, de transição energética e de transição digital.

Está ainda em guerra pela sobrevivência do modelo multilateral de relacionamento entre os povos, de que a União Europeia é um exemplo de referência para o mundo, tornando-se assim um alvo a abater para todos os imperialismos sob a forma tentada ou em afirmação progressiva.

Está também em guerra pela preservação de uma cultura que resulta do cruzamento de civilizações e se fundamenta na diversidade e na prevalência dos valores que inspiram a parceria.

Está em guerra finalmente, contra si própria, tentando gerar os anticorpos democráticos suficientes para combater as erupções iliberais que nela vão ocorrendo e evitando que a sua reputação seja contaminada pelo uso de diferentes pesos e medidas na forma como se posiciona nos diferentes conflitos à escala global.

A maior riqueza da UE, que só por si justifica que a celebremos, é a paz e a liberdade que prevalecem nos seus territórios há mais de 75 anos. Dito isto, será compatível celebrar a paz proclamando cinco “guerras” que têm que ser vencidas. Penso que sim.

Tive o privilégio de viver dois terços da minha vida, beneficiando do enorme orgulho e privilégio que foi ser simultaneamente cidadão português e da mais avançada parceria democrática que existe no mundo. Não quero nunca ter que dizer que a União Europeia foi um projeto extraordinário. É um projeto extraordinário e todos ganhamos se continuar a ser.

Últimos Artigos

Democracia do Lugar

Diário do Sul

Dias 6 e 7 de outubro participei em Galway, República da Irlanda, na reunião da Comissão de Economia do Comité das Regiões de que sou membro enquanto Presidente da Câmara…

Ler o artigo completo

Na Própria Baliza

Diário do Sul

Confesso que tentei não desabar na enxurrada provocada pelo anunciado fim da carreira de Cristiano Ronaldo enquanto jogador da seleção portuguesa de Futebol. No meio da borrasca, como adepto da…

Ler o artigo completo

Solistas e “Concerto das Nações”

Diário do Sul

Recentemente fui convidado para abrir um debate sobre Portugal, a Europa e a Agenda Internacional do Desenvolvimento, no quadro mais vasto de uma sessão do Conselho Estratégico do Partido Socialista…

Ler o artigo completo