Identidade e Território
No dia 15 de junho o Núcleo Distrital da SEDES – Associação para o Desenvolvimento Económico e Social, promoveu no Palácio de D. Manuel em Évora uma oportuna sessão de reflexão sobre o tema Identidade Cultural, Coesão e Valorização do Território, em que tive a grata oportunidade de ser um dos oradores.
Vivemos hoje momentos de oportunidade e de transformação, em que as ferramentas do passado dificilmente poderão ser transpostas para o futuro sem alterações substantivas. Mesmo em contexto de mudança acelerada, valorizar o território e tornar melhor a vida de quem neles habita continua a ser uma prioridade que não dispensa políticas de coesão e que tanto quanto possível devem ser também de convergência.
A chave da coesão continua a ser a combinação entre qualificação, investimento e inovação nos mais diversos setores da economia e da economia social, mas precisamos agora de acrescentar uma abordagem institucional mais coerente e ágil e um novo motor de descodificação da complexidade e criação de soluções diferenciadas e vencedoras.
Esse motor, com diferentes cilindradas, mecânicas e alimentações, perpassou como essencial pela generalidade das intervenções no debate, quer dos membros do painel, quer daqueles que depois expressaram as suas opiniões. Uma síntese possível, não me querendo substituir às fecundas conclusões apresentadas no final do evento e que serão ainda aprofundadas no seu relatório, é que para valorizar o território e puxar pela coesão é preciso valorizar em paralelo a sua identidade.
Será a conclusão robusta e adequada. Penso que sim, mas não podemos deixar de nos perguntar porque é que no passado ela nunca triunfou e que razões nos podem levar a crer que agora será diferente. Temos dois fatores a favor de uma mudança de ciclo e de atitude e um obstáculo que continua por transpor.
A favor temos a absoluta necessidade de usar este novo instrumento e o impulso que lhe foi dado pelos debates gerados pela construção e declinação do conceito fundador de Évora -Capital Europeia da Cultura 2027, organizada sob o signo do Vagar, ou seja, sob a forma de ser e de estar do Alentejo e dos alentejanos. Contra, temos a falta de autonomia estratégica na governação dos territórios, que só a regionalização administrativa ou uma desconcentração robusta pode resolver.
É altura de nos juntarmos e exigirmos a autonomia estratégica necessária para reforçarmos a identidade cultural como uma alavanca do desenvolvimento sustentável que queremos para a nossa terra.