Artigos de Opinião

Neste espaço poderá encontrar os artigos que ao longo dos últimos anos foram sendo escritos por Carlos Zorrinho e publicados em diversos meios de comunicação social.

O Parágrafo de Paulina

O parágrafo de Paulina baralhou o ciclo político em Portugal e teve réplicas na tectónica institucional europeia. Antes dele, o ciclo político previsível contava com eleições autárquicas em setembro de 2025 e eleições presidenciais no início de 2026, mantendo-se a legislatura estável até ao outono de 2026, tendo em conta que estava escorada numa forte maioria absoluta.

Depois do parágrafo e das suas consequências, as datas de referência para as autárquicas e as presidenciais mantiveram-se, mas a legislatura foi interrompida e após eleições, uma nova legislatura soluçante e sem maiorias estáveis teve início em março deste ano, sendo difícil prognosticar até onde poderá ir.

Aquele que é já catalogado como o mais impactante parágrafo da democracia portuguesa, virou o tabuleiro político nacional e espoletou um difícil contexto para que Portugal venha a ter em tempo útil um Orçamento de Estado (OE) aprovado para o exercício de 2025. Neste quadro, é normal que o arranque do ano político tenha vindo a ser marcado pelo aquecimento dos motores para o debate e a votação do OE. Fraca e perigosamente amorfa seria a nossa democracia se assim não fosse.

Um debate forte e intenso não dispensa obviamente alguma retórica, mas a sua qualidade não pode ser reduzida ao paragrafo em que o OE será ou não promulgado pelo Presidente. É fundamental que Portugal tenha um OE robusto e adequado aos grandes desafios internos e externos que terá que enfrentar.

Face ao minimalismo do paragrafo de Paulina, também eu me atrevo neste texto, não a escrever um parágrafo, mas a alinhavar uma recomendação para as diversas forças políticas e em particular para aquelas a quem os portugueses outorgaram o mandato de manter Portugal numa linha de desenvolvimento conforme à Constituição da República e aos valores que partilhamos como membros de pleno direito da União Europeia.

É fundamental que o debate do OE se faça com base na negociação de projetos políticos claros e que contemplem não apenas a visão e as prioridades de cada força para as politicas internas e externas, mas também, correspondendo à ampulheta do tempo, as suas propostas para o desenvolvimento do território, em particular das prioridades para novo o ciclo autárquico e para a articulação entre o poder central e o poder local, colocando mais recursos financeiros onde a governação é mais próxima das pessoas e das suas necessidades.

Quanto mais sérias e consistentes forem as propostas em debate, mais hipóteses teremos de encontrar um caminho sólido que proteja a democracia e sirva as pessoas.

Últimos Artigos

Identidade e Modernidade

Diário do Sul

Se precisasse de definir Évora em duas palavras escolheria aquelas que titulam esta crónica. Somos ao mesmo tempo um Concelho que sente os impactos da interioridade, mas assume cada vez…

Ler o artigo completo

O Alentejo é Grande

Diário do Sul

Henrique Raposo, cronista do Expresso que leio com regularidade pela sua capacidade de nos confrontar de forma provocatória sobre temas de atualidade, conseguiu mais uma vez o seu objetivo de…

Ler o artigo completo

Regionalização – Para quê reinventar a roda?

Diário do Sul

Évora foi a Cidade escolhida pelo Governo para no dia 27 de fevereiro realizar a cerimónia de posse dos recém-eleitos Presidentes das Comissões de Coordenação Regional (CCDRs) e reunir o…

Ler o artigo completo